Nenhum governo – nem mesmo o da China – pode parar o Bitcoin

No ano passado o mercado de criptomoedas viveu um verdadeiro pânico, resultando em quedas seguidas na cotação do Bitcoin e de Altcoins em geral. Isso ocorreu porque o governo chinês tentou barrar o crescimento do Bitcoin.

Mesmo assim a primeira criptomoeda do mundo continua em expansão. Entenda o que aconteceu e por que nenhum governo é capaz de parar o mercado das moedas digitais.

Fatos que tentaram parar o Bitcoin

Primeiramente o governo chinês anunciou o bloqueio de todas as operações de lançamento de novas moedas, as ICOs. Ele alegou que essas transações não tinham controle do mercado e, por isso, os investidores estavam desprotegidos. Essa proibição chinesa fez o preço das moedas cair.

Em seguida o ataque foi redirecionado para as exchanges chinesas. O órgão de segurança local anunciou que todas as exchanges sediadas no país teriam até o dia 30 de setembro para encerrar as suas atividades. Apenas a Huobi e a Okcoin tiveram as licenças estendidas até o final de outubro.

Além disso, Jamie Dimon, executivo do banco JP Morgan, afirmou que o Bitcoin seria uma “fraude”, comparável à mania das tulipas do século XVII. O efeito foi imediato. A cotação do Bitcoin que tinha chegado a bater 5.000 dólares em setembro de 2017 (quando a frase foi dita) rapidamente derreteu, chegando a encostar nos 3.000 dólares.

Essa foi a deixa para que os detratores do Bitcoin surgissem com os argumentos de sempre: a moeda “morreu”, é melhor vender tudo ou ficar de fora enquanto é tempo, chegou a hora de parar o Bitcoin e por aí vai.

Importante lição

Depois desses eventos, pode-se ver que o BTC realmente… reviveu! A moeda “morreu” e voltou a se recuperar. Agora, no final de 2018, a cotação de Bitcoin está em torno dos 3.500 dólares, provando que a crise chinesa já acabou e as negociações continuam normalmente.

Vale notar que a mesma China chegou a proibir as negociações de Bitcoin por alguns meses, em 2013. No entanto, ela teve que voltar atrás depois que o aumento das negociações em P2P tirou todo o controle do governo sobre a fiscalização desse dinheiro.

Esse episódio traz uma importante lição: nenhum governo, por mais rico e autoritário que seja, conseguirá proibir totalmente o uso da moeda. O Bitcoin é imparável!

O mercado de exchanges

Regulamentar um mercado de crescente inovação como o de criptomoedas quase sempre irá resultar em dois fatores: altos custos e queda de inovação. Nova York é um grande exemplo disso.

Até 2015 a cidade era um verdadeiro polo de inovação em criptomoedas e Blockchain. Várias empresas surgiam lá, a concorrência estava forte e ativa, além da realização de vários eventos e conferências.

Porém, entrou em cena Benjamin Lawsky e sua famigerada BitLicense, a qual implantou uma pesada e onerosa regulamentação para as empresas sediadas na cidade. Em consequência, várias delas saíram de cena (se mudando ou fechando as portas) e o mercado local praticamente acabou.

Caminhos opostos foram seguidos por países como Austrália e Japão. O primeiro deles chegou a fazer uma bitributação nas transações com Bitcoin. Isso levou as pessoas a passarem a usar o mercado P2P, onde se negocia diretamente com outras pessoas, sem a necessidade de uma corretora e para exchanges de outros países.

Assim o governo perdeu o controle sobre as negociações com a moeda, o que, ironicamente, era o oposto do que eles pretendiam com a regulação. Isso levou a uma nova regulamentação, que agora prevê a ausência de taxação.

O Japão, por sua vez, acabou fazendo a lei considerada a mais amigável para as empresas e o mercado de criptomoedas. Desse modo, o país se transformou em um porto seguro para quem desejava se proteger contra as intervenções chinesas, fazendo o país se tornar um dos maiores mercados do mundo.

Não é possível parar o Bitcoin por causa de sua natureza livre

Exchanges podem ser reguladas. Podem ser taxadas, monitoradas e até mesmo proibidas. Governos exercem um enorme poder sobre essas empresas – e o episódio da China deixou isso bem claro.

Porém, quando a análise parte para a moeda em si, podemos afirmar que a regulamentação de Bitcoin é totalmente ineficiente. De fato, quase inútil.

O Bitcoin foi criado para fugir de qualquer controle estatal. O fato de a moeda ser negociada em uma rede em que não há nenhuma identificação direta dos usuários já é motivo suficiente para que nenhuma lei seja capaz de detê-la.

Não existe um meio de derrubar a rede Bitcoin — a não ser derrubando toda a internet, incluindo redes governamentais. Não existe forma de confiscar fundos que estejam em carteiras privadas, tampouco há como fazer políticas monetárias com a moeda, como “programas de estímulo” e outras políticas inflacionárias.

Esse era o principal objetivo de Satoshi Nakamoto ao apresentar seu White Paper e posteriormente criar a moeda. Ele queria torná-la livre de qualquer alcance de governos.

Nakamoto viu a crise de 2008 e percebeu muito bem o enorme poder que advém do controle da produção do dinheiro e que esse poder sempre será usado por poderosos contra o povo. E eis o mote de criação do Bitcoin: transferir esse poder para os verdadeiros detentores da moeda.

Além disso, a utilidade do Bitcoin vai muito além da moeda. Pelo fato da Blockchain ser uma segura e completa rede de registros de transações, ela agrega um enorme valor para pessoas que desejam registrar bens, propriedades ou qualquer outra coisa. Enquanto esses benefícios forem reais, a rede seguirá tendo transações e o Bitcoin continuará com o seu valor.

Conclusão

Governos podem continuar a sua jornada para parar o Bitcoin e outras criptomoedas. No entanto, os resultados sempre serão contrários aos pretendidos, por melhores que sejam as intenções dos governantes. Trata-se da fuga, para outros países e regiões, de todo um ecossistema de investimentos, empreendedores, desenvolvedores, inovações e usuários.

Em vez de seguirem o caminho chinês, os próprios governos podem ter maiores ganhos se fizerem como o Japão, permitindo o livre mercado e abraçando a tecnologia ao invés de repeli-la. Afinal, os benefícios do Bitcoin vão muito além da moeda em si.

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