Indicadores importantes para as criptomoedas: Hash rate

Avaliar e precificar novos ativos sempre é uma tarefa complicada. Ações existem há séculos, porém foi somente na década de 30 que os princípios do value investing, o método mais utilizado para avaliações de ações, foi criado.

Da mesma maneira, o mercado de opções também tem séculos de história, mas apenas na década de 70 foi criado o modelo de Black-Scholes, o melhor modelo existente para precificar opções.

Avaliar e precificar novos ativos como moedas criptografadas podem ser um grande desafio, entretanto alguns indicadores podem nos auxiliar nesse processo. Dentre eles, podemos destacar um indicador importante: a hash rate.

Antes de tudo, função hash

Antes de explicar como a hash rate pode ser um indicador valioso na avaliação de criptomoedas, precisamos primeiramente compreender o que é uma função hash e quão fundamental ela é para a criptografia.

Funções de hash são algoritmos que transformam informações de tamanho variado (digamos um arquivo de vários megabytes, gigabytes ou até terabytes) em um comprimento fixo, através de um procedimento de via única, isso é, que não pode ser reversível.

As funções hash não permitem a engenharia reversa, isso é, a partir de uma hash não é possível reconstruir a informação, somente validá-la (verificar se a hash diz respeito à uma informação ou arquivo em específico).

Dessa forma, as funções hash são fundamentais para a criptografia, pois permitem a verificação de informação sem para isso ter de revelá-la a terceiros.

O bitcoin utiliza o algoritmo de hash SHA-256 para a validação de novos blocos de transações, o que é feito através da mineração. Nesse processo, vários mineradores tentam simultaneamente encontrar a hash que seria correspondente ao início deste novo bloco.

Assim que ele é encontrado, o novo bloco é adicionado à blockchain e o minerador recebe um prêmio (no momento de escrita do artigo, 12,5 BTC) por ter validado esse bloco de transações.

Hash rate

Como o Bitcoin ajusta a dificuldade de mineração de acordo com a com a quantidade de mineradores competindo, atualmente esse processo requer um poder computacional absurdo.

Dessa forma, somente equipamentos específicos criados para processamento do algoritmo SHA-256 (conhecidos como ASICs) tenham boas chances de serem lucrativos minerando bitcoin.

Como atualmente há milhares de mineradores no mundo todo, esse processo consome uma enorme quantia de energia elétrica.

É nesse ponto que a hash rate torna-se um indicador interessante. A hash rate indica o número de tera hashes (trilhões de hashes) que a rede de mineradores do Bitcoin está processando a cada segundo.

A aquisição de ASICs (aparelhos desenvolvidos especificamente para mineração) e os custos de energia da mineração são extremamente elevados, portanto os mineradores precisam investir bastante dinheiro para criarem uma operação rentável.

Como qualquer espécie de investimento em bens de capital, a compra de ASICs indica não somente a crença num cenário rentável no período atual, mas também em períodos futuros.

Isso é tornado ainda mais evidente se considerarmos que muitas ASICs desatualizadas são constantemente transformadas em metal de reciclagem, demonstrando quão competitivo é o mercado de mineração de criptomoedas.

Dessa forma, para que o investimento compense, não basta que o preço do Bitcoin seja maior do que os gastos hoje, é necessário que ele se valorize ainda mais no futuro.

Assim, se a hash rate sobe, significa que há mais pessoas investindo dinheiro na compra de equipamento e em energia elétrica, o que indica uma fé na valorização da criptomoeda em questão, seja no curto prazo ou no longo prazo (para pagar o custo de aquisição do equipamento e ainda obter lucros).

A confiança dos mineradores na moeda é fundamental para qualquer criptomoeda, já que eles têm um papel primordial para o processamento de transações.

Apesar da hash rate ser um indicador importante e que pode ser de grande valor para avaliar se uma criptomoeda pode ou não ser um bom investimento, ela não explica tudo. Vejamos o gráfico abaixo, que apresenta a hash rate e cotação do Bitcoin (BTC) e Bitcoin Cash (BCH):

As linhas pontilhadas representam a hash rate de cada moeda, sendo a azul a hash rate do Bitcoin (BTC) e a laranja do Bitcoin Cash (BCH). Já as linhas contínuas representam a cotação de cada moeda em dólar (USD), no mesmo esquema de cores: azul para o Bitcoin (BTC) e laranja para o Bitcoin Cash (BCH).

Hash rate X Bitcoin
Como podemos notar, por duas vezes a hash rate do Bitcoin Cash superou a do Bitcoin: entre os dias 20 e 27 de agosto de 2017 e nos arredores do dia 12 de outubro de 2017.

Como ambas as moedas utilizam o algoritmo de hash SHA-256 para validação de novos blocos de transação, os mineradores podem direcionar seu poder computacional para minerar Bitcoin ou Bitcoin cash, de acordo com o que julgarem ser mais lucrativo.

Vemos que entre os dias 20 e 27 de agosto, o aumento da hash rate do Bitcoin Cash não coincidiu com um aumento de preço, entretanto no dia 12 de novembro, sim.

Também é possível ver que entre os dias 17 e 24 de dezembro o preço do Bitcoin Cash e hash rate aumentaram conjuntamente, apresentando uma alta correlação.

Assim, podemos notar que ainda que a hash rate possa ser um bom indicador para tentar antever a cotação de uma criptomoeda, há outros fatores que devem ser levados em conta.

Como esses indicadores são diversos, por vezes sendo de difícil compreensão, pode ser arriscado realizar trades sem a expertise necessária.

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